Comunidade de Barcelos
Apresentação da Instituição
A Casa do Menino Deus, cuja história tem o seu ponto de partida numa imagem do Menino Jesus Rei, remonta ao Séc. XVIII. Vittoria de Jesus, uma escrava negra, trabalhava numa loja de vendas dos seus amos, na Rua Direita da, então, Villa de Barcelos.
Sendo muito piedosa e devota do Menino Jesus, a escrava Vittoria mandou esculpir a imagem do Menino Deus, entre os anos de 1704 e 1720, a qual ficou exposta na própria loja onde a escrava era apóstola.
Agraciadas por milagres, as pessoas levavam muitas ofertas ao Menino Deus. Em consequência da popularidade da imagem, a escrava Vittoria foi obrigada a colocá-la na Capela dos Terceiros. Porém, se até então a fama da milagrosa imagem do Menino era grande, maior ficou e mais avultadas se tornaram as ofertas e as esmolas.
Tendo já muitos donativos, Vittoria de Jesus solicita, em Maio de 1721, ao Arcebispo de Braga, a construção de uma capela para o Menino Deus, o que lhe foi concedido a 6 de Outubro de 1725. Contudo, a 10 de Novembro do mesmo ano, a Ordem Terceira de S. Francisco opôs-se a tal concessão alegando, nomeadamente, não existir qualquer confraria do Menino Deus. Não obstante tais oposições, o Arcebispo confirma, em 1726, a licença anteriormente concedida à escrava que, entretanto, resolveu edificar não só a capela, mas também uma igreja e um convento.
Após a execução das obras, a 27 de Setembro de 1733, a imagem do Menino Deus, foi transladada processionalmente para a sua igreja.
Surge, então, o Recolhimento das Escravas do Menino Deus, as quais levam uma vida de clausura, oração e penitência em honra do Menino Deus, cuja imagem guardavam.
A partir de 1834, com a extinção da Vida Religiosa em Portugal, os conventos de Freiras não poderiam receber novas candidatas, para assim se extinguirem naturalmente. O Recolhimento do Menino Deus, apesar de não ser um convento no rigor do termo, terá ressentido as mesmas consequências, pois, 60 anos mais tarde tinha apenas duas recolhidas.
Nesse mesmo ano, em 1893, as autoridades locais reconvertem o Recolhimento das Beatas numa instituição de carácter social a favor das crianças e jovens, mantendo, porém, as duas últimas recolhidas.
O Recolhimento das Escravas do Menino Deus adquire, então, a denominação de Recolhimento e Asylo da Infância Desvalida do Menino Deus, da Villa de Barcelos, passando a integrar um internato de meninas (órfãs, pobres ou pensionistas, que eram integradas em regime de internato, semi-internato ou em regime externo).
Em 1928, esta Instituição é confiada à Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, a quem é entregue em uso e administração, passando, desde então, a designar-se “Casa do Menino Deus”.
Em 1929, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco, suporte jurídico desta instituição, solicita para a sua direcção interna as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, as quais tomam posse deste novo campo de acção a 1 de Novembro desse mesmo ano.
A Casa do Menino Deus torna-se, assim, num complexo de obras variadas de assistência social, que deixa de integrar somente o internato e dá lugar a várias obras sociais, nomeadamente:
Jardim de Infância D. António Barroso – inaugurado em 1930 para crianças de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 3 e os 7 anos, às quais era servida uma refeição ao meio-dia;
Sopa dos Pobres – iniciada em 1931, era servida a 112 inscritos, consistindo numa sopa e num bocado de pão. Em 1944, a refeição, que anteriormente era levada para casa, passou a ser servida no local de distribuição para evitar que fosse vendida a outros. Contudo, em 1955, voltam a levar a refeição para casa, por se considerar, nomeadamente, que a medida anteriormente adoptada não favorecia a união familiar;
Sopa dos Desempregados – foi servida de 1937 a 1955, às pessoas inscritas, de acordo com o número de pessoas do agregado familiar;
Atelier de Santa Isabel – aberto em 1941, das 8h às 19h, onde mulheres e jovens do exterior, e também educandas internas, realizam trabalhos, principalmente de bordado;
Obra de Catequese – funcionou diariamente, até 1951, para todas as crianças que aparecessem, organizando-se em três grupos: Primeira Comunhão, Perseverança e Comunhão Solene;
Patronato de Santa Inês – foi iniciado em 1942, com o objectivo de retirar crianças da rua, ao sair da Escola, dando-lhes “trabalhinhos, costura e catecismo”;
Dispensário Anti-tuberculoso – situado no actual Campo 25 de Abril, onde se deslocavam duas Irmãs, três manhãs por semana. Terminou em 1956.
Presos – de 1942 a 1946, confeccionando-lhes as refeições, e servindo-as nas grandes festas; a animação da Comunhão Pascal e devoções do mês de Maio e de Junho, assim como o arranjo da sua capela;
Edição dos Anais - de 1936 a 1968: redacção e administração da revista mensal dos Anais das Franciscanas Missionárias de Maria e publicação de livros e de folhetos do Instituto.
Com o passar do tempo diversas valências tornaram-se desnecessárias; foram realizadas várias obras de restauro e ampliação do edifício, deixando mais lugar à implementação da obra educativa.
A Realidade Actual
A Casa do Menino Deus é uma Instituição Particular de Solidariedade Social localizada na Rua Dr. Manuel Pais, 273, 4750-317, Barcelos. Este é um concelho essencialmente rural, cujas actividades económicas principais são: a indústria cerâmica, a indústria têxtil, a agricultura e o comércio.
Procurando dar resposta às necessidades do meio envolvente, a Casa do Menino Deus dispõe, actualmente, de:
Lar de Infância e Juventude – com capacidade para acolher 45 crianças ou jovens.
As vagas do Lar-internato destinam-se, essencialmente, à admissão de crianças do sexo feminino com idades compreendidas entre os 3 e os 11 anos de idade, as quais aí podem permanecer até aos 18 anos (ou até aos 21 anos);

Jardim de Infância – com capacidade para 175 crianças, desde os três anos de idade até à entrada para o 1º CEB;

Creche – para 90 crianças, com idades compreendidas entre os 4 meses e os 3 anos de idade;

ATL – para 100 crianças, do 1º e 2º ciclo.
Colégio da Casa do Menino Deus – Escola Particular e Cooperativa de 1º Ciclo, para 192 alunos.
A Casa do Menino Deus aposta na excelência dos seus serviços como resposta de eficácia, procurando exceder as expectativas dos seus clientes. Para obter tais resultados é imprescindível o envolvimento de todos os intervenientes – Direcção, Colaboradores, Clientes e demais Parceiros.
A Missão define a filosofia organizacional da Instituição. Visa garantir o desenvolvimento do processo educacional, à luz dos princípios éticos e cristãos. Aposta na formação harmoniosa e integral das Crianças e Jovens, através de uma pedagogia inovadora, contribuindo para a formação de cidadãos solidários, abertos aos novos desafios do mundo em constante mutação.
Objectivos
São objectivos do Lar de Infância e Juventude:
- Proporcionar às crianças e Jovens todas as necessidades básicas em condições de vida que permitam a experiência de uma vida familiar estruturada;
- Fomentar o crescimento e a autonomia;
- Promover a reintegração na família e na comunidade;
- Promover a vivência dos valores humano-cristão;
O Colégio “Casa do Menino Deus” aposta na qualidade e no rigor do ensino - caminho para a Excelência. Tem como objectivos:
- Proporcionar à criança uma formação sólida de qualidade, à luz dos valores humano-cristãos para a liberdade responsável e criatividade participativa
- Despertar para a consciência da dignidade de todo o ser humano
- Reconhecer a importância das diferenças na construção de uma sociedade aberta e plural
A valência de Jardim-de-infância tem como objectivos:
- Promover o desenvolvimento de situações ricas em afecto, que ajudem a criança a desenvolver sentimentos de segurança, estabilidade e regularidade;
- Ajudar a criança a utilizar as suas crescentes capacidades psico-motoras, cognitivas e psico-sociais, para descobrir, alcançar e explorar o mundo que a rodeia;
A Casa do Menino Deus tem como objectivos fundamentais na sua creche:
- Promover uma educação personalizante e libertadora, concebendo-a como o desabrochar progressivo e harmonioso de todas as faculdades da Criança.
- Contribuir para a estabilidade e segurança afectiva da Criança, incentivando uma franca colaboração entre os Pais e Educadores.